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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

FAÇA A SUA PARTE, LUGAR DE LIXO É NO LIXO

     

     No Brasil, já existem algumas leis municipais que proíbem as pessoas de jogar lixo nas ruas. 

     A lei pode inibir o cidadão, mas a mudança de comportamento só ocorre com a conscientização, não é mesmo?

Lugar de lixo é no lixo! 

Faça a sua parte e compartilhe esta ideia.

AS BIDONVILLE DE PARIS (LITERALMENTE, “CIDADE DE LIXO”)

 A FRANÇA acreditava erradicadas as favelas, associadas às paisagens suburbanas dos anos cinquenta e sessenta em plena explosão demográfica. Mas há uma década, aproximadamente, os barracos voltaram a aparecer dentro das cidades, em regiões periféricas e junto às estradas.



Fonte: El País

CONHEÇA A CIDADE ONDE TODO MORADOR TEM UMA HORTA

Les Avanchets, Genebra, Suíça. Este é o endereço dos sonhos de qualquer hortelão urbano, de acordo com o fotógrafo e ambientalista francês Yann Arthus-Bertrand




sábado, 18 de novembro de 2017

GEOGRAFIA DA FOME

"Menino de 8 anos desmaia na escola e marca um país devolvido à #Geografia mundial da fome."
Vale a (re)leitura dos livros já clássicos "Geografia da fome" e "Geopolítica da fome", de Josué de Castro.



domingo, 5 de novembro de 2017

domingo, 17 de setembro de 2017

VEJA 200 ANOS DE URBANIZAÇÃO DE SÃO PAULO EM 30 SEGUNDOS



     Não muito tempo atrás, São Paulo era um pequeno posto avançado para o comércio e as comunicações. Alguma vez você já se perguntou como ele se tornou a megalópole que é hoje e regiões cresceram pela primeira vez?

     Não espere mais. O Projeto de urbanização NYU Stern traçou a expansão do solo urbano 1880 para a virada do século 21. A animação resultante adota um formato de tinta colorida bonita, a cada toque de cor correspondente a um período diferente de urbanização.

     São Paulo, mostra crescimento moderado no final do século XIX, seguido por pequenas expansões nos primeiros anos do século passado. Então, na década de 1930, a região central viu um surto repentino de crescimento e 20 anos mais tarde, a incessante e massificação da cidade atingiu a velocidade máxima, continuando até os dias atuais. Neste ocorreu a explosão demográfica e como consequência temos o inchaço urbano.

    Quando você observa a imagem final você pode observar que as cores mais escuras estão relacionadas com as partes mais antigas da cidade e as cores mais claras onde a construção recente desenvolveu.
 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

POR QUE A BANDEIRA DOS ESTADOS CONFEDERADOS CAUSA TANTA POLÊMICA NOS EUA?

Usada pelos Estados do sul do país durante a Guerra Civil, a bandeira voltou a ser alvo de polêmica depois de aparecer em fotos do atirador Dylann Roof, acusado de matar nove pessoas em uma histórica igreja da comunidade negra na cidade de Charleston. O crime teria sido motivado por ódio racial.



Sob aplausos, a governadora Nikki Haley solicitou a "retirada de um símbolo que nos divide", medida que poderá ser votada nesta semana. Os Filhos de Veteranos Confederados, organização formada por descendentes de combatentes da guerra civil, reagiu, dizendo que lutará contra as tentativas de retirar a bandeira. O grupo afirma não se tratar de um símbolo de ódio racial, mas de sua história e herança cultural.

Em entrevista a jornalistas, Haley afirmou entender o argumento da organização, mas disse que, para muitas pessoas, a bandeira é um "símbolo profundamente ofensivo de uma opressão brutal". Durante a guerra civil, os Estados Confederados buscaram independência para impedir a abolição da escravatura.

Origem

No entanto, a bandeira estampada hoje em camisetas, adesivos e em algumas casas ─ às vezes acompanhada pela mensagem "se esta bandeira te ofende, você precisa de uma lição de história" ─ não era originalmente e nunca foi a bandeira oficial desses Estados.

Criada por William Porcher Miles, que presidia o comitê responsável pela bandeira, ela foi rejeitada como a bandeira nacional da confederação formada pelos Estados do Sul em 1861, em favor de outra conhecida como bandeira das "barras e estrelas". Contudo, acabou adotada como uma bandeira de guerra pelo Exército da Virgínia do Norte, a principal força militar dos Estados Confederados, tornando-se um símbolo do nacionalismo no qual se baseava o movimento.
Polêmica

Segundo David Goldfield, autor de "Still Fighting The Civil War" ("Ainda lutando a Guerra Civil", em tradução livre), o debate em torno da nova bandeira, em 1862, deixava claro que a confederação buscava um símbolo da supremacia branca e de uma sociedade dominada pela escravidão. Depois da guerra, a bandeira foi usada em comemorações e reuniões de soldados, mas, para os negros, "trata-se de um legado de ódio", diz Goldfield, porque foi adotada por grupos como o Ku Klux Klan e outros que defendiam a segregação racial.

Segundo Bill Ferris, diretor do Centro de Estudos da Cultura Sulista da Universidade do Mississipi, nos Estados Unidos, a bandeira é hoje comparável à suástica, símbolo do nazismo. Ferris lembra que, em 2001, o Estado da Geórgia mudou o desenho de sua bandeira após 45 anos por causa da pressão pela retirada do símbolo dos Estados confederados. Segundo o especialista, o "sul está mudando com o crescimento da população negra, hispânica e asiática, e a bandeira da Confederação não cabe mais nesse mundo".


Na Carolina do Sul, só a Assembleia Legislativa poderá removê-la, segundo um acordo feito em 2000, quando foi retirada do topo do prédio onde funciona a sede do governo para o memorial onde se encontra hoje. Uma votação pode ser realizada nesta semana sobre o assunto e dar fim a um debate de anos sobre o local de destaque dado à bandeira. "Os atos de violência aterrorizantes da semana passada abalaram os habitantes da Carolina do Sul", disse o republicano Jay Lucas, líder da maioria na câmara. "Para que o Estado possa superar esta tragédia, precisamos de uma solução rápida para esta questão."

Segundo o prefeito de Charleston, o democrata Joseph Riley, "grupos de ódio se apropriaram da bandeira". "Não podemos colocá-la em um espaço público onde ela pode servir de combustível para pessoas repletas de ódio."

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

MÉDIA DE IDADE POR PAÍS

     O que a média de idade de um país pode dizer sobre o seu futuro ?

   Utilizando dados da CIA Factbook, foram criados os gráficos abaixo para mostrar-lhe a idade média da população de todos os países do mundo. 

    Há 1,2 bilhões de pessoas entre as idades de 15 até 24 anos no mundo de hoje - e isso significa que muitos países têm populações mais jovens do que nunca. 

    Alguns estudiosos acreditam que este "aumento de jovens" desenvolve uma "agitação social" - particularmente quando combinada com altos níveis de desemprego entre estes jovens. Escrevendo para o The Guardian, no ano passado, John Podesta, diretor do Centro para o Progresso Americano, advertiu que o desemprego juvenil é uma "bomba-relógio global", que hoje são "prejudicados por economias fracas, discriminação e desigualdade de oportunidades. "

    Os 15 países mais jovens do mundo estão na África. Dos 200 milhões de jovens do continente, cerca de 75 milhões estão desempregados. O país mais jovem do mundo é o Níger, com uma idade média de 15,1, e Uganda vem em um segundo próximo a 15,5. 

   Por outro lado, o envelhecimento da população apresenta um conjunto diferente de problemas: o Japão e a Alemanha estão empatados em países mais velhos do mundo, com idade média de 46,1 anos. Com a taxa de natalidade em declínio da Alemanha a previsão é que a sua população vai diminuir em 19%, encolhendo para 66 milhões até 2060. O envelhecimento da população tem um enorme impacto econômico: na Alemanha, significa uma escassez de mão-de-obra.

    Confira abaixo os gráficos:









quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ENQUANTO ALGUNS RECLAMAM DE ACORDAR CEDO PARA ESTUDAR ...

     Estudantes do ensino fundamental seguram nas barras laterais de uma ponte que desabou sobre um rio na aldeia de Sanghiang Tanjung, na Indonésia, em 19 de janeiro de 2012. Literalmente arriscando a vida para poder estudar, esses alunos tinham a ponte como único caminho à escola. Recentemente a ponte foi interditada e os alunos agora contam com um barco para atravessar o rio.

     A imagem correu o mundo através da mídia internacional como um dos inúmeros exemplos de crianças ao redor do mundo que arriscam suas vidas em busca de educação. 





Fonte: news.detik.com
Foto: Reuters

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A GEOMEDICINA QUER SABER ONDE VOCÊ MORA

Whether you live in the city or the countryside can affect your health and susceptibility for disease.
Viver na cidade ou no campo pode afetar sua saúde e susceptibilidade para doenças


    Em 1854, um médico Inglês chamado John Snow identificou um surto de cólera em Londres em virtude de uma única bomba d'Água  contaminada. Este pioneiro da epidemiologia moderna, fez uso de informações sobre onde as pessoas doentes viviam e deduziu que estavam bebendo água contaminada a partir dessa fonte.

   Usar pistas sobre a localização dos povos é uma ferramenta importante na saúde pública, com isso os cuidados com os pacientes podem ser muito mais pessoais e específicos. 

     "A medicina personalizada tem sido tão importante quanto a genômica," diz o Dr. Rishi Manchanda. Em seu discurso ele complementa que " Nós não somos apenas criaturas de nossos genes,  somos criaturas de nosso meio ambiente."

    Parece óbvio, mas muitos profissionais de saúde não perguntam aos seus pacientes onde vivem, como parte de sua investigação diagnóstica. 

   Alguns pesquisadores e profissionais da saúde estão chamando o uso de mapeamento na área da saúde de "Geomedicina" em parte devido a Bill Davenhall, considerado o pai deste segmento. Os dados clínicos são responsáveis por apenas 10% dos fatores que determinam a saúde de uma pessoa, diz Davenhall.

    A ideia do lugar influenciando a saúde é tão antiga quanto Hipócrates, diz a Dra. Estella Geraghty, diretora médica da Esri,  empresa de sistema de informações geográficas. Diz ela, que tem sido uma grande mudança os médicos perguntarem onde os pacientes vivem. "As pessoas estão começando a pensar, 'Oh, eu não tinha pensado sobre como poderíamos usar essa informação", completa. 

    Trabalhando em uma pequena clínica em South Central Los Angeles, Manchanda e pesquisadores geocodificaram 54.000 registros de pacientes com base em seus endereços residenciais. Os pesquisadores sobrepuseram mapas de pessoas com asma ou diabetes em mapas de dados públicos de habitação, tais como violações do código de habitação.

     Os mapas mostraram os principais pontos onde a duas enfermidades ocorreram. A asma foi mais prevalente em casas em que eram infestadas por mofo, enquanto o diabetes apareceu em bairros que seus moradores tiveram dificuldades de acesso a alimentos saudáveis e feiras de alimentos orgânicos. 

     Manchada diz que os dados podem ajudar os profissionais de saúde em clínicas locais a tomar melhores medidas preventivas para os pacientes.

       Por exemplo, o médico pode dizer a um paciente para ficar com familiares ao deixar o hospital após um ataque cardíaco, em vez de ir para casa perto de uma auto-estrada, onde a poluição e o barulho podem ser prejudiciais à sua reabilitação.

   O último exemplo vem de Ted Smith, que busca novas iniciativas tecnológicas para o Governo de Louisville. Ele está trabalhando com um grupo chamado Propulsor de Saúde para coletar dados sobre os pacientes asmáticos da cidade, incluindo quando e onde eles usam seus dispositivos inalatórios. As reinternações, diz ele, poderiam ser reduzidas apenas verificando em que lugar o paciente vive, mas como em medicina preventiva, é difícil dimensionar o valor que clínicas e hospitais podem economizar usando tecnologia de mapeamento, este campo ainda não tem atraído muita atenção.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

DAS DEMOCRACIAS TOTALITÁRIAS AO PÓS-CAPITALISMO (ENTREVISTA)

Entrevista de David Harvey a André Antunes, no Blog da Boitempo

Um dos mais influentes pensadores marxistas da atualidade, o geógrafo britânico David Harvey esteve no Brasil em novembro para divulgar o lançamento de seu livro "Os limites do capital". Escrita há mais de trinta anos, a obra ganhou sua primeira versão em português, mas, segundo Harvey, isso não significa que tenha ficado ultrapassada – pelo contrário. Pioneiro em sua análise geográfica da dinâmica de acumulação capitalista descrita por Marx, o livro, assim como grande parte da obra de Harvey, tornou-se mais relevante para entender os efeitos da exploração econômica dos espaços urbanos e suas consequências para os trabalhadores, ainda mais numa conjuntura marcada pela eclosão de protestos contra as condições de vida nas cidades, não só no Brasil, mas também na Europa, América do Norte e África. Nesta entrevista, Harvey faz uma análise dos levantes urbanos que ocorrem em todo mundo, aponta que não será possível atender às reivindicações por meio de uma reforma do capitalismo, e defende: é preciso começar a pensar em uma sociedade pós-capitalista.


"Os limites do capital" foi escrito há mais de 30 anos. Desde então o capitalismo sofreu mudanças profundas. Qual é a atualidade dessa obra para entender o modelo de acumulação capitalista hoje?


O livro explora a teoria de Marx sobre acumulação de capital para entender as práticas de urbanização ao redor do mundo em vários lugares e momentos históricos diferentes. Minha investigação sobre as ideias de Marx se estenderam para uma análise de coisas como a renda fundiária, preços de propriedades, sistemas de crédito.

Uma coisa curiosa aconteceu: a análise de Marx era sobre o capitalismo praticado no século 19. Na época em que comecei a escrever Os limites do capital, havia muitos aspectos do mundo ao meu redor que não se encaixavam com a descrição de Marx: tínhamos um Estado de Bem-estar Social, os Estados estavam envolvidos na economia de diferentes formas, havia arranjos de seguridade social e movimentos sindicais fortes em muitos países. Mas aí veio a chamada contrarrevolução neoliberal depois dos anos 1970, com Margareth Thatcher, Ronald Reagan, as ditaduras na América Latina, e o capitalismo regrediu para sua forma do século 19. Por exemplo, houve o desmantelamento de muito da rede de seguridade social em boa parte da Europa e América do Norte; o capital se tornou muito mais feroz em sua relação com movimentos trabalhistas; as proteções que vinham de Estados que eram em algum grau influenciados por movimentos políticos de esquerda foram desmanteladas em boa parte do mundo. O que vimos desde os anos 1970 é um aumento da desigualdade social, que é precisamente o que Marx disse que aconteceria caso adotássemos um sistema de livre mercado. Adam Smith postulava que se tivéssemos um livre mercado seria melhor para todos. O que Marx mostra no O Capital é que quanto mais perto de um livre mercado mais provável é que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. E essa tem sido a tendência por grande parte do mundo desde os anos 1970 por conta do neoliberalismo.

De uma maneira curiosa, por essa razão, Marx se tornou mais relevante para entender o mundo hoje do que era na época em que escrevi o livro. Ao mesmo tempo, muitas das lutas que vemos ao nosso redor agora são lutas urbanas em vez de lutas baseadas em unidades fabris, de modo que ligar a dinâmica do que Marx descrevia com a dinâmica da urbanização se tornou mais relevante.


E o papel dos centros urbanos na dinâmica de acumulação capitalista, como mudou ao longo desse período?


O capital produz constantemente excedentes, e uma das coisas que aconteceu é que a cidade se tornou um local para a absorção de capital excedente. Muito desse dinheiro foi para construção de estruturas, em alguns casos para a construção de megaprojetos. O capital adora esses megaprojetos, como os envolvidos em Copas do Mundo e Olimpíadas, porque são uma ótima oportunidade para gastar muito dinheiro na construção de novas infraestruturas, o que levanta uma questão interessante: essas novas infraestruturas acrescentam algo à produtividade do país? Se você for para a Grécia, vai ver um país essencialmente falido, com esses estádios vazios ao redor, que foram construídos para um evento que durou algumas semanas. A maioria dos lugares que sediam esses eventos tem problemas financeiros sérios depois mas, no processo, as empreiteiras, construtoras e financiadoras ganham muito dinheiro. Ao longo dos últimos 40 anos, o capital excedente foi cada vez mais canalizado para mercados de ativos, como os direitos de propriedade intelectual, em que você investe no controle de patentes e vive da renda, sem fazer nada. E, da mesma forma, as cidades, as propriedades urbanas, se tornaram ativos muito lucrativos. O que vemos hoje nos mercados imobiliários é que é quase impossível para a maioria da população encontrar um lugar para viver que não absorva mais da metade de sua renda. Esse é um processo mundial: tivemos uma crise na habitação nos Estados Unidos, na qual o mercado de propriedade entrou em colapso. Em Nova York, Los Angeles e São Francisco os preços estão subindo, e vemos o mesmo fenômeno na Europa: tente achar um lugar para morar em Londres, em Paris. Mais e mais dinheiro está sendo extraído das pessoas na forma de aluguel. Isso é interessante, porque há um deslocamento da exploração do trabalho e da produção para explorar as pessoas em termos de extração de aluguel de seu local de moradia. O capital consegue inclusive fazer concessões aos trabalhadores e recapturar esse dinheiro que o trabalhador ganha aumentando o valor do aluguel.


Você trabalha atualmente em um livro que lista 17 contradições do capital: pode falar um pouco sobre elas a partir da crise de 2008?


A forma como as contradições funcionam é que elas estão interconectadas. O que houve em 2008 foi uma serie de contradições: entre valor de uso e de troca, entre a forma do dinheiro e o valor que ele deveria representar e entre aspectos da propriedade privada e o poder do Estado. Todas essas contradições se juntaram para criar um ambiente propício ao acontecimento da crise na habitação. Por exemplo: você olha uma casa, e há uma contradição entre encará-la em termos de valor de uso e valor de troca. Em algum ponto a casa se torna uma forma dupla de valor de troca, porque as pessoas que compram a casa a veem como uma forma de poupança. E mais tarde eles compram uma casa como uma forma de investimento, uma forma de ganhar dinheiro. Em vez de comprar uma casa para morar, as pessoas compram casas para reformá-las e vendê-las, para ganhar dinheiro em cima disso. Então se o mercado imobiliário está em alta, é possível ganhar muito dinheiro muito rápido com esse processo, e o resultado disso é que as vizinhanças se tornaram instáveis, porque ninguém mora e cuida do local, só usam a casa para ganhar dinheiro. E ao mesmo tempo, há muita especulação para tentar elevar o valor da casa por meio de ajustes superficiais, o que não é um problema em si, até que o mercado imobiliário despenque, porque as coisas não podem subir para sempre. Se começa a cair, todo mundo vende rapidamente e você tem o crash que vimos nos Estados Unidos em 2007-2008, e também na Espanha, Irlanda e em muitas partes do mundo. Essa tensão entre valor de troca e de uso é importante, mas é importante olharmos também para a forma como tudo é monetarizado. Há uma forma interessante com que o dinheiro começa a gerar mais dinheiro, esse aspecto especulativo do dinheiro. Eu poderia ter uma casa em Nova York sem a menor ideia de quem é o proprietário porque as hipotecas são divididas em pedacinhos e uma parte dela está na Alemanha, outra em Hong Kong e ninguém consegue descobrir de quem é a dívida. Isso é uma ficção que aconteceu por causa da maneira como o sistema monetário evoluiu.

A outra contradição é entre o Estado e a propriedade privada. O que vemos é que, em países como os Estados Unidos, o Estado vem incentivando a compra de casa própria nos últimos 40 anos, criando novas instituições financeiras para apoiar a aquisição da casa própria, dando isenções de impostos se você é proprietário, a um ponto que todo mundo tem que se tornar um proprietário, quando isso não é economicamente racional em mercados especulativos desse tipo. Entre quatro e seis milhões de pessoas foram despossuídas de suas casas nos Estados Unidos através dessa crise de execução de hipotecas.

Quando perguntaram para as pessoas por que elas achavam que isso tinha acontecido, quem elas culparam? Elas mesmas. É exatamente o que os neoliberais dizem que você deve fazer. Vivemos num mundo em que o modo de pensar neoliberal se tornou profundamente arraigado: essa ideia de que nós como indivíduos somos responsáveis por sermos pobres. Como dizer para as pessoas que não é culpa delas, que é um problema sistêmico? É como o capital funciona, especialmente na sua forma de livre mercado, e se você é pobre você é um produto deste sistema. A única maneira de solucionar isso é mudando o sistema, o que quer dizer que é preciso tornar-se anticapitalista.

Eu acho que em vários lugares do mundo atualmente você vai encontrar um sentimento de profunda insatisfação. Há um grande descontentamento, mas acho que em nenhum desses lugares emergiu um movimento consolidado em termos de um entendimento de para onde esse descontentamento deve ser canalizado e o que deve ser feito para mudar esse quadro. Como resultado, o que você vê são essas erupções contínuas ao redor do mundo. Eu vejo que há um sentimento de descontentamento mundial que não está sintetizado, mas é interessante notar como ele entra em erupção e ninguém espera.

Ninguém esperava o que aconteceu no Brasil, foi uma surpresa. Ninguém esperava o que aconteceu na Praça Taksim, em Istambul, em Estocolmo, em Londres. O que se vê é um padrão global de expressões de descontentamento, que não localizaram o problema central, mas que são indicações de um descontentamento profundo com a maneira como o mundo caminha. Para mim, a melhor forma de se analisar isso é olhar quão bem o capital está indo. A maneira mais simples de ilustrar isso é olhando para a desigualdade de renda. Dados de vários países ao redor do mundo mostram que os 2% de maior renda entre a população saíram da crise muito bem e na verdade ganharam muito dinheiro com ela, enquanto o padrão de vida do resto encolheu.

Isso varia de um país para outro, mas dados da Oxfam apontam que os 100 maiores bilionários do mundo aumentaram sua riqueza em US$ 240 bilhões só em 2012. O número de bilionários aumentou dramaticamente nos últimos cinco anos, não só nos Estados Unidos: esse número dobrou na Índia nos últimos três anos, há muitos bilionários no Brasil, o mais rico do mundo é Carlos Slim, do México, há bilionários surgindo na Rússia, na China. Os dados mostram que o capital está indo extremamente bem.

É possível atender às reivindicações das ruas com uma reforma no capitalismo?


As opiniões variam na questão de o quanto podemos extrair das dificuldades atuais e ainda termos um capitalismo dinâmico. Minha análise é que será muito difícil desta vez. Certamente é possível acabar com alguns dos excessos do capitalismo neoliberal e certamente podemos ter um tipo de capitalismo mais socialmente justo, com redistribuição modesta de riqueza das classes abastadas para as classes médias e baixas. Há possibilidades de reforma do sistema e eu obviamente as apoiaria. Mas não acho que elas vão resolver o problema. Acho que a quantidade de riqueza que pode ser redistribuída é relativamente limitada. Em segundo lugar, falta poder político para fazê-lo. Temos uma situação agora em que essencialmente o poder político, a mídia, estão completamente capturados pelo grande capital, e a barreira política para fazer algo além de medidas pontuais é imensa. Temos uma oligarquia global que controla essencialmente toda a riqueza mundial, a mídia, os partidos políticos, o processo político. 

Vivemos hoje no que eu chamaria de democracias totalitárias, e acho que é muito difícil quebrar isso porque a oligarquia não está interessada em abrir mão desse poder. Então há uma barreira política e há também uma barreira econômica, porque se você realmente começa a redistribuir riqueza no modo que precisaríamos para resolver esses problemas e ter educação, saúde e transporte público decente para todos, se realmente fôssemos fazer isso, teríamos que tirar muito do dinheiro que hoje vai para os projetos que interessam ao grande capital.

Por que você acha que vai ser difícil sair da crise atual?

O capital tem que crescer, e crescer a uma taxa composta, que tem uma curva de crescimento exponencial. Isso significa que cada vez mais somos empurrados a encontrar oportunidades de investimento lucrativas, mais e mais. Meu cálculo, de maneira grosseira, é que nos anos 1970, globalmente, era preciso achar oportunidades de investimento lucrativas para algo em torno de US$ 600 bilhões. Hoje é preciso encontrar canais lucrativos para investimentos na ordem de US$ 3 trilhões. Em 20 anos, falaremos em canais lucrativos de investimento para US$ 6 trilhões e assim por diante. Acho que manter o capital ativo tornou-se um sério problema, e se houver um crescimento zero, há uma crise. O crescimento composto se torna cada vez mais problemático. Temos tido esse problema desde os anos 1970 e é por isso que mais e mais capitalistas estão vivendo de renda ao invés de procurar oportunidades de investimento lucrativas produzindo coisas materiais, que já não é tão lucrativo. E se todo mundo investe no rentismo, ninguém produz nada, o que também é um problema.

Você fala da importância de uma imaginação pós-capitalista. Fale sobre a sua visão do que seria uma sociedade pós-capitalista. 

É preciso haver uma revolução nas percepções, nas práticas, nas instituições. E essas revoluções levam muito tempo para se concretizarem. Quando você pensa na história do neoliberalismo, vê que foi uma transformação revolucionária que aconteceu num período de 30, 40 anos. Se foi possível mudar daquilo para isso, por que não podemos mudar do que vemos hoje para outra coisa? Mas temos que pensar não simplesmente em termos de fazermos barricadas, mudarmos governos. Temos que pensar nisso como um processo de 40 anos de mudança de mentalidades, concepções. Por exemplo, como as pessoas pensam a solidariedade social com seus vizinhos. Nos anos 1970 havia muito mais solidariedade social, e hoje o mundo se tornou muito mais individualista. Uma revolução é um processo, não um evento, estamos falando de transformações de longo prazo, e isso requer que as pessoas comecem a formular ideias sobre como mudar o mundo. Há muitos elementos que estão sendo praticados atualmente, o problema é que a maioria em pequena escala. Por exemplo, economias solidárias sendo praticadas ao redor do mundo, no Brasil, nos Estados Unidos. Há grupos tentando desenvolver modos de vida alternativos, ambientalistas, por exemplo, o movimento de recuperação de fábricas por trabalhadores na Argentina, há muitos movimentos desse tipo acontecendo, alguns em meio à crise. Na Grécia vemos o desenvolvimento de sistemas monetários alternativos e por aí vai. Há muitas coisas acontecendo atualmente que podem ser consideradas experimentos-piloto. Acho importante olhá-las e analisar quais são os elementos para se pensar um tipo diferente de sociedade no futuro.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

APROVEITAMENTO DA BIOMASSA

'Itaipu verde', bagaço de cana perde espaço como fonte de energia

          Com potencial para gerar, em 2021, volume de energia equivalente ao da hidrelétrica de Itaipu, o uso do bagaço da cana como fonte de energia está paralisado no país.
Após forte crescimento entre 2006 e 2008, a venda de energia de biomassa despencou a partir de 2009. No ano passado, nem 1 MW foi comercializado nos leilões do governo. O único movimento é a entrega da energia vendida em anos anteriores.

         O potencial é subaproveitado. Em 2012, seria possível ofertar 5.000 MW médios com o bagaço de cana, segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética). Mas apenas 26% do total (1.300 MW médios) foi entregue ao sistema.

        A perda deve ser maior no futuro. Em 2021, o país terá potencial para gerar 10 mil MW médios com o bagaço da cana, mas serão vendidos só 2.000 MW, ou 20% do total.
Considerando também a palha da cana como biomassa, o potencial de geração sobe para 15 mil MW médios, segundo a Unica, e o aproveitamento cai para 13%.

        A projeção da EPE reflete a ausência dessa fonte nos últimos leilões e a queda no nível dos investimentos.

     Os desembolsos do BNDES para projetos de cogeração caíram 18% em 2012 em relação a 2011, quando já haviam amargado queda de 41%.
Segundo o banco, o preço "pouco atrativo" da energia nos leilões "esfriou" o interesse dos empresários.




Bons Estudos !!!
Prof. Luiz  Fernando Wisniewski – Geografia 

terça-feira, 18 de julho de 2017

EXISTE ALGUM LUGAR DO PLANETA QUE AINDA NÃO FOI POLUÍDO?

Em algum momento entre 1,8 milhão e 12 mil anos atrás, nossos ancestrais dominaram a técnica de criação do fogo. O ato é um marco na história da humanidade, pois a possibilidade de cozinhar, se aquecer e criar ferramentas deu um impulso enorme ao progresso coletivo.

Mas esse conhecimento também marcou o começo da poluição criada pelos humanos.
Há várias formas de poluição natural, como a erupção de vulcões, mas a maior parcela de contaminação do planeta hoje é gerada por nós.
Os rastros de poluição são visíveis em quase todos os cantos do planeta: há lixo solto no deserto de Gobi, nas praias do Pacífico e nas neves do Everest.
Mas o planeta sendo tão vasto, será que não existem lugares incólumes à contaminação?


Céu e terra

A poluição do ar acontece de diferentes formas. Uma das piores é o ozônio, que se forma de uma reação entre óxidos de nitrogênio e compostos orgânicos voláteis produzidos por carros e fabricas.
Os danos desta poluição são enormes. Só na Índia, perde-se US$ 1,2 bilhão em colheitas por ano devido à poluição causada pelo ozônio. Estima-se que um milhão de pessoas morram de doenças decorrentes deste tipo de poluição.
O problema da poluição do ar é que é impossível fugir dela mesmo ao se afastar da sua fonte. Massas de ar transportam poluição por toda parte do planeta.

China, a grande poluidora.
"O que observamos com muita frequência é que a poluição começa em um lugar e acaba em outro lugar muito distante", diz David Edwards, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica do Sistema Terrestre, nos Estados Unidos.
Ele cita o exemplo da Malásia, que está desmatando parte de sua floresta para dar lugar a plantações de palmeiras de dendê. Quem está sofrendo com isso é Cingapura, que hoje registra vários problemas de visibilidade.
Mas há correntes que viajam bem mais longe. Incêndios de desmatamento na América do Sul e no Sul da África contaminam o ar em todo o hemisfério Sul.
Com isso, é possível dizer que nenhum ponto do planeta está imune à poluição do ar - e isso acaba contaminando o solo também.
Mas há lugares que registram ar mais limpo, se medido em partículas atmosféricas. É o exemplo do Polo Sul, o lugar mais isolado de centros populacionais do planeta e também que registra o ar mais limpo.

Lixo no Himalaia.
Mas cientistas alertam que há outros tipos de poluição que afetam mais a Antártida do que o resto do planeta. O buraco da camada de ozônio é maior nos polos, e isso faz com que manchas negras de carbono surjam na neve.
Cavernas profundas também costumam ter o ar mais limpo, desde que seu ar não tenha muito contato com o resto da atmosfera terrestre.


Rios e geleiras

Infelizmente a poluição atmosférica contamina também a água. Mas para a maioria dos cientistas, o que mais preocupa na água é a contaminação que vem do solo, com o despejo de químicos, fertilizantes e resíduos.
Em alguns casos, os nutrientes do solo são exterminados, o que diminui também o oxigênio na água, ameaçando a fauna. O exemplo mais urgente desse tipo de contaminação é o delta do rio Mississippi próximo ao Golfo do México.
Os rios continuam sendo o maior destino de esgoto não-tratado - 80% do que é gerado em casas e empresas no mundo acaba na água do planeta sem nenhum tratamento. Em lugares como Nova Déli, esse índice chega a 99% - com os dejetos despejados no rio Yamuna. Algo semelhante acontece na Cidade do México, com o rio do vale Mezquital.

Parece neve, mas é poluição. Rio Yamuna, Índia. 
Na China, mais da metade dos rios estão poluídos demais para gerar água potável. No Paquistão, o índice é de 72%. Um relatório da organização ambiental WWF aponta que a população de animais em rios caiu em 75% nos últimos 40 anos, em grande parte devido à poluição.
Como acontece com o ar, a água mais distante dos grandes centros é a mais pura. Rios e geleiras no Ártico, Antártida e Canadá são os mais intocados do planeta.

Pássaro come plástico no Havaí. 
No caso das geleiras, a água mais pura está estocada mais embaixo, pois a parte de cima já vem sendo contaminada pelo ar sujo desde os tempos da Revolução Industrial, no século 18.
Outras fontes "quase" puras de água estão na Floresta Amazônica e na Bacia do Congo, na África.


Oceanos

Os oceanos cobrem 70% do nosso planeta. Hoje estima-se que de 60% a 80% da poluição no mar tem sua origem na terra. De todos os poluentes, o pior é o plástico, que demora séculos para se decompor. Já o papel não é um grande problema, pois desaparece rapidamente.
A surpresa nos oceanos é que os pontos mais remotos estão entre os mais poluídos, graças à forma como as correntes marítimas se comportam.
Em uma região não habitada do norte do Pacífico, por exemplo, se formou algo parecido como uma "ilha de lixo". Os únicos humanos que passam pelo local são cientistas que investigam o fenômeno.

Lixo no fundo do oceano.
O fundo do mar era tido por muitos como um lugar imaculado, mas cada vez mais se descobre que isso não é verdade. A oceanógrafa Lisa Levin, do instituto Scripps, da Califórnia, faz pesquisas usando veículos controlados remotamente.
"Existe lixo humano por toda a parte. Isso deixa claro que os seres humanos são parte integral do ecossistema marinho", diz.
Mesmo em lugares remotos, há lixo como garrafas, lata, material de pesca, cordas, objetos metálicos, munição militar e sapatos.

Fonte: BBC Brasil.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

VOCÊ SABE O QUE É O FRACKING ?

    O FRACKING é uma técnica usada por um longo tempo que poucas pessoas estão conscientes e sabem que ele é, esta técnica é usada para aumentar a extração de gás e petróleo do subsolo.
Como você faz?
     A injeção de um material cria uma pressão sobre o subsolo e, assim, surgem fraturas que facilitam a extração destes recursos energéticos.
    Os materiais utilizados são injetados sob pressão e são geralmente de areia ou de água, a técnica é extremamente perigosa para o ambiente e nada ecológico, em primeiro lugar usando grandes quantidades de água e areia é adicionado substâncias químicas que contaminam águas subterrâneas e o solo.
  O FRACKING, também conhecida como técnica de “Fratura hidráulico”, afeta principalmente as emissões de poluentes nas águas subterrâneas e emite poluentes para a atmosfera na forma de metano e cloreto de potássio.
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